Diagnóstico precoce da artrite reumatóide ajuda a evitar deformidades e incapacidade.
São Paulo - Há cerca de cinco anos, Sandra Cristina Liviero, começou a sentir as primeiras dores em algumas articulações, como o punho e a coluna. Com elas vieram o diagnóstico de artrite reumatóide e o uso de medicamentos. Hoje, aos 32 anos, o único tratamento é a prática de atividade física, mais especificamente a hidroterapia. Sandra é exemplo de como o diagnóstico precoce é fundamental para uma evolução controlada da artrite reumatóide, mas principalmente para evitar as deformidades e a incapacidade.
Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, Ieda Laurindo, sem tratamento, a doença leva à incapacidade para o trabalho em mais de 50% dos pacientes depois de dez anos. ''É a segunda maior causa de afastamento do trabalho. Mas, o tratamento precoce, no início dos sintomas, é o que apresenta melhores resultados'', afirma.
''Hoje a doença é perfeitamente tratável, e ela pode entrar em remissão, quando há tratamento precoce, por isso informação é fundamental'', reforça a médica Elaine de Azevedo, diretora científica da Sociedade Paulista de Reumatologia. A doença se caracteriza por dores, inchaços e dificuldade de movimento nas articulações, principalmente mãos, pé e punhos. Mas, como é uma doença sistêmica, também pode causar cansaço, fadiga e eventualmente emagrecimento.
As especialistas explicam que, sem tratamento, a doença evolui para lesões em ossos, cartilagens e todas as estruturas das articulações - danos irreversíveis, que levam à deformidade e à incapacidade.
Uma das novidades no tratamento da artrite reumatóide é o medicamento Actemra (nome comercial do tocilizumabe), aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que começou a ser comercializado há cerca de 10 dias. O medicamento é o primeiro de uma classe de biológicos que inibe a ação da interleucina 6 (IL-6), substância produzida em excesso nos pacientes com artrite reumatóide e uma das responsáveis pela inflamação crônica e destruição progressiva das articulações.
A nova droga age bloqueando a ação inflamatória da IL-6, e segundo o professor e reumatologista Morton Scheinberg, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, é ''o mais potente anti-inflamatório da classe dos biológicos, com uma resposta rápida para neutralizar a inflamação e minimizar outros sintomas como a fadiga''. Ele ressalta ainda a diferença para outros medicamentos que perdem a eficácia ao longo do tempo e precisam ser trocados. Segundo o diretor de marketing da Roche na área de reumatologia, Fábio Ivankovich, a farmacêutica já solicitou a incorporação do medicamento para ser fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
* A jornalista viajou a São Paulo a convite da Roche
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