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HPV - Inimigo mutante

Pesquisa da Universidade de Brasília identifica transformações nas formas mais agressivas do HPV, vírus que é um dos principais causadores do câncer de colo do útero.

Paloma Oliveto

Um dos principais causadores do câncer de colo do útero, o vírus do papiloma humano (HPV) desafia os cientistas que buscam o desenvolvimento de vacinas para combatê-lo, por apresentar grande capacidade de se regenerar.
Prova disso é a pesquisa conduzida na Universidade de Brasília (UnB) pela bióloga Tainá Raiol Alencar, que conseguiu identificar 13 mutações das formas mais agressivas do micro-organismo.

De todos os tipos encontrados nas amostras, Tainá resolveu trabalhar com cinco bastante similares ao HPV 16, o mais associado ao câncer de colo do útero (ou cervical). Ela escolheu o material genético das variantes 21, 33, 35, 52 e 58, todas consideradas de alto risco, ou seja, que podem levar ao desenvolvimento do carcinoma.
PROTEÇÃO Depois de isolar o DNA do papiloma humano, a bióloga estudou três regiões do genoma para identificar possíveis alterações. Além de encontrar mutações, ela descobriu que em uma mesma variante podem ser encontrados diferentes graus de risco. Ou seja, um tipo de HPV 58 pode ser mais perigoso que outro tipo da mesma variante, dependendo das mudanças genéticas existentes.

Segundo ela, trabalhos de identificação de mutações são importantes para conduzir estudos de proteção e tratamento da doença. Porém, a pesquisadora lembra que a melhor forma de combater o câncer cervical é a prevenção. "Estudos mostram que em países onde o sistema de saúde funciona de forma eficiente, com o exame de papanicolau, consegue-se reduzir em até 70% o desenvolvimento do câncer", diz. "A infeção com o HPV não vai necessariamente levar à doença, pois há outros fatores associados, como número de partos, presença de outros patógenos e deficiências nutricionais". Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), das mulheres infectadas, apenas entre 3% e 10% terá o tumor maligno. Mesmo assim, Tainá insiste: "A prevenção é essencial. É importante o médico ficar atento e fazer um monitoramento frequente para saber se o vírus é de alto ou de baixo risco".


 

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